Federico Fellini, cineasta italiano
Luzes.
Câmera.
Ação.
A trilha sonora se inicia, traçando sequências inusitadas e, ainda assim, espetaculares, de notas musicais. O cenário projetado se adapta a ela, enriquecendo-a com matizes impressionantes de cores já há muito conhecidas. Não só as cores, como também, a iluminação dão o ar da graça na tela, podendo consagrar a cena ali descrita ou simplesmente arruiná-la.
Surgem seres de beleza sobre-humana, cujas faces fulguradas convertem-se nas mais variadas expressões em um só tempo. A fala clara e poética encanta, ouvem-se suspiros e mais música. Embora o encanto mobilize restritas multidões em salas escuras, a cena ali retratada é de natureza prosaica. Vêm-se essas conversas e personagens em situações corriqueiras. O que prova que a vida, por si só, é uma arte.
Arte ampliada pelas lentes das câmeras de indivíduos notadamente habilidosos. Magos que, com o auxílio de seus instrumentos típicos, transformam o ordinário em esplêndido, o incomum em inovador, e o dramático em belo. Enxergam além da imagem, veem tendências para o futuro. Dons quase sobrenaturais.
Despertam os mais obscuros desejos e sentimentos, provocam lindas emoções. Ensina-nos a rir, a chorar, a se arrepiar, a borbulhar de ódio e, principalmente, a sonhar.
As luzes se apagam.
Aplausos irrompem por toda a sala ao final da projeção. Todos os presentes, de pé.
É o Cinema.

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